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História de Pescador

Episódio de "Los Cazadores"

Sou daqueles pescadores que adora contar uma história.

Comecei logo cedo, pescando nos múltiplos aquários do meu avô. Peixes de todos os tamanhos e com diferentes formas de pesca. Vara, iscas, arpão e até mesmo com a mão. A rede era excluida por tirar a beleza da pesca.

Meu primeiro grande feito foi pescar um golfinho em alto mar, façanha celebrada por todos exceto por uma bióloga, minha esposa, que veio com um papo que golfinhos não são peixes, são mamíferos. Malditas biólogas, se estão no mar são peixes ou pelo menos deveriam ser.

Mas não me dou por satisfeito e parti em busca de novos desafios. Querendo contrariar a lógica surrealista das biólogas fui atrás do único animal metade peixe, metade mamífero. A Sereia.

Crise dos 24

Episódio de "Los Cazadores"

- Cara, estamos com um grande problema!
- Estamos? Eu não tenho problema algum.
- Tem certeza?
- Humm...
- Você tem 24 anos não é?
- Tenho.
- E há quanto tempo que você não namora?
- Já faz tempo, creio que uns oito meses. Difícil encontrar uma mulher que me encante, que tenha certas qualidades que me façam querer ter um relacionamento sério.
- Mas o físico não te chama mais atenção?
- Chama, adoro mulheres com tudo no lugar, mas isso é pouco. Mulher tem que saber conversar, dialogar, entreter, somar, completar.
- Sei.
- Vivo insatisfeito. Sexo não me satisfaz como antes, preciso de mais. Alguém que saiba conversar, provocar, me deixar com raiva e com vontade de retrucar, de brigar, de conquistar.
- Tenho os mesmos sintomas.
- E pensar que até pouco tempo atrás nem ligávamos para esses detalhes, nos satisfazíamos com o futebol, cervejinha e sexo.
- Caçávamos por diversão, competíamos pela nossa caça, e cada conquista era celebrada.
- O que será que acontece conosco?
- Consultei um amigo meu sobre isso, ele é médico.
- Existe médico para isso?
- Nos dias e hoje existe médico para tudo.
- E o que foi que ele disse?
- Disse que estamos passando pela “Crise dos 24”.

Os Caçadores

Episodio de "Los Cazadores"

(Dois amigos em um bar)
- Hoje será nossa noite.
- Como assim nossa noite?
- Iremos nos dar bem.
- Sobre o que você está falando?
- Como assim sobre o que? Nós estamos em um bar, com varias minas a nossa volta e você me pergunta isso, o que mais pode ser.
- Ah, mulheres. Entendi.
- Você continua pensando nela. Esquece ela cara, não pode viver o resto da sua vida em função dela. E tem tantas mulheres por ai, você tem que aproveitar a vida, sair com várias, beijar várias, transar.
- Você fala como se fosse fácil.
- É claro que é.
- Me diz, há quanto tempo você não caça?

Cabelos Ardentes

Dizem por aí...

Que na floresta Mata-virgem mora uma menina de cabelos da cor da fogo, junto com sua mãe e irmã. De vermelhos seus cabelos tem apenas a cor, por que sua alma é quente e fumegante, sendo conhecida por todos na floresta encantada como Cabelos Ardentes. Toda semana ela tem a missão de levar um cesta de doces para sua avó, porém o destino é alterado para a casa do Lobo Mau, com o qual ela mantém um romance secreto há 6 meses. Ambos ainda não sabem como contar para os pais dela e dele, mas não estão preocupados com isso, querem apenas aproveitar o momento juntos.

A Complexidade do mundo feminino

Episódio de “Los Cazadores”

- Boa Noite!
- Cara, você precisa ouvir a idéia genial que eu tive.
- Tudo bem com você?
- Essa idéia vai mudar nossas vidas para sempre.
- Por que você não responde mais as minhas perguntas?
- Xhiii... deixa eu adivinhar, você acabou de vir da psicóloga?
- Sim!
- E ela falou do papo da sensibilidade, de novo?
- Ela vive dizendo que preciso exercitar meu lado sensível, que isso me ajudará a entender as mulheres.
- Sei.
- E eu achei que por você ser meu melhor amigo, você poderia me ajudar.
- Te ajudar?
- É
- Eu vou te ajudar.
- Vai?
- Mas não com o lado sensível.
- Não?
- Cara, esquece o lado sensível, isso é papo de bicha! Tenho uma idéia bem melhor.
- Para entender as mulheres?
- E sem precisar exercitar o lado sensível.

Achados & Perdidos


Olha a Mariah! E ao vê-la pergunto-me "onde foi que nos perdemos?". Mas se nos perdemos, como explicar que nos tornamos iguais exatamente nas perdas, e que a felicidade não passa de um sentimento particular e egoísta. Se bem que alguns dizem que a felicidade é um estado de espírito, mas dificilmente nos encontramos em torno da felicidade. Fora aquela passageira, como a vitória na final da copa do mundo, mas é um caso raro e em quase 100 anos de história das copas só aconteceu 5 míseras vezes. Fico com a estranha sensação que vivemos nos perdendo, e para nos encontrar é preciso perder para nos acharmos na dor, será? Será que os caminhos não podem simplesmente se cruzar, bater a porta em um dia frio, ocupar o banco do trem vazio ao seu lado, ou simplesmente dividirmos um prato de comida, um pastel, um brigadeiro. Mas talvez sejamos mais feitos de perdas do que de achados. Perdemos a mão para os negócios, perdemos a infância dos nossos filhos, perdemos a hora do ônibus, perdemos dinheiro na bolsa, perdemos a fome, o gol, a hora, o passo, o marca-passo e por vezes até a vida. Deve ser por isso que os Achados & Perdidos estão cheios de pequenas coisas, que guardam inúmeras pequenas histórias. Creio que perdi o verso da prosa, ou o parágrafo da poesia. Nas perdas nos aproximamos, mas será possível nos encontrarmos se estamos perdidos?

"Um pirata disse-me uma vez que é preciso estar perdido para encontrar o que ninguém pode achar. Creio que posso contrariar a canção e me perder por ai."

Armário sem Fundo

(História inspirada na filha da Mariah)

Ela acorda ao som de martelos, e arrastar de móveis. Corre desesperada e ao chegar ao quarto vê o armário já instalado, vai atrás do armário e vê que o mesmo tem fundo. Não era assim que ela tinha pedido, não era assim que deveria ser. Indignada ela anda até a frente do "fazedor de armários", cruza os braços e chama sua atenção.

Los Cazadores

(Dois amigos conversam em um bar ao ar livre)

-Humm... a noite.

-É verdade, já é noite.

-Quando a noite chega me sinto melhor, sinto um arrepio frenético no meu corpo e todos os pelos se arrepiando.

-Ao lado de outro homem?

Sobre Heróis e Vilões

- Fale-me o nome de alguns heróis.
- Super-Homem, Homem Aranha, Batman, Homem de Ferro, X-Men, Quarteto Fantástico.
- Quantos destes são reais?
- Nenhum.
- E existem heróis reais?
- Creio que sim.
- Cite alguns.
- Gandhi, Luther King, Malcolm X, Madre Tereza.
- Onde podemos encontrá-los?
- Não podemos... Todos eles estão mortos.
(...)
- E quanto aos vilões? Eles existem?
- Existem os das histórias, como o Coringa, Lex Luthor, Duende Verde.
- E não existem vilões reais?
- Existem.
- Você conhece algum?
- Alguns já cruzaram meu caminho.
- Quem são?
- Ladrões, sequestradores, assassinos.
- Eles não têm nomes?
- Provavelmente sim, mas eu desconheço. Devem gostar do anonimato.
- E assim como os heróis, estão todos mortos?
- Não.
- Onde eles estão?
- Por ai...

Pequeno Vilão

Quando eu era criança os prédios eram feitos de lego, os carros de carretel, as árvores de massa de modelar, e a casa da vovó de chocolate. Os aviões de jornal cortavam o ar levando notícias para todos os lados, o estilingue derrubava as maças do topo da árvore, a bola de meia dançava de pé em pé e os meninos desciam as ladeiras em disparada para fazer do mar nosso aquário particular. Na casa da árvore guardávamos nossos maiores segredos, vigiados pelos papagaios pendurados por fios nas mãos dos garotos, pelos jogadores de bolas de gude, pelas borboletas treinadas para distrair as meninas e outros tantos informantes que se comunicavam através de sinais de bolas de sabão emitidos pelos cachimbos de paz. Do alto da árvore mais alta ouvíamos as histórias do vovô sobre príncipes e heróis, mas eu queria mesmo era ser o vilão para roubar um beijo de todas as mocinhas.

Melodia engarrafada

Ao abrir uma garrafa vazio em uma praia deserta ouve-se um refrão a entoar uma viciante e solitária melodia...

Eu vou deixar
O vento me levar
Pra onde for, pra qualquer lugar
Eu vou deixar
O vento me levar
Pra onde for, eu vou

Mas de quem é a voz que ecoa de dentro da garrafa?

Em busca da Pedra Mais Alta

Seguindo o conselho do Teatro Mágico, parti em busca da Pedra Mais Alta. Porém para encontrá-la, fui alertado que é necessário ignorar o sentido mais utilizado. Vendei-me e um pé após o outro fui tateando o chão em busca da Pedra Mais Alta. No Caminho obtive ajuda das mais incríveis criaturas. Peguei carona em caravelas voadoras, nadei guiado por golfinhos entre nuvens e por cima delas, fui conduzido pelo aroma dos pastéis de belém e ovos moles até um mar de vinhas. Caminhei por uma trilha de uvas que eram esmagadas a cada pisadela minha, e seu suco guiou meus pés até uma cachoeira que corria ao contrário. Banhei-me ao gosto do vinho por mim pisado, e deixei a cachoeira me conduzir até o seu ponto mais alto, de onde brotavam notas musicais entoadas por vozes em um sotaque estranho. Do alto senti o aroma do pôr-do-sol em minha boca, ouvi o som da luz da lua a refletir em minha língua, degustei com meu corpo a chuva de estrelas e senti o sol nascer em minha face. E então, pude enxergar a Pedra Mais Alta.

Aquela Boca Sem Dente...

Episódio de "Los Cazadores"

"Eu comprei geladeira, comprei microondas, comprei a tv e comprei o dvd
Eu comprei um vestido maneiro e você me falou que eu não soube escolher
Eu voltei pra trocar o vestido e a menina da loja que foi me atender, me mostrou mais uns 5 vestidos e eu lá perdido "aonde? cadê?"
Eu pedi pra menina da loja buscar um vestido que eu queria ver
A menina vestiu o vestido e quis me fazer um desfile privê, a menina era linda, mas eu só olhei pro vestido e embrulhei pra trazer

Se você não gostar do vestido, eu volto pra loja e troco você"

- E então?
- Então o que?
- Como assim o que? Ela ficou com o vestido?
- Nada, troquei ela.
- PQP...
- É.
- Se elas soubessem a diferença que uma boca sem dente faz.
- Isso é verdade, mas quem sabe não convenço a atual a usar dentadura.
- Será que você consegue?
- Vamos deixar a idéia amadurecer.
(E os dois levantam os copos americanos cheios de cerveja)
- A todas as bocas sem dente.

Carta engarrafada

Carta encontrada dentro de uma garrafa em uma praia portuguesa.

"Caro leitor de papeis em garrafas,

Dia desses encontrei uma fadinha nada modesta, pedi um feitiço e ela me cobrou os olhos da cara. Tentei negociar meus braços, pernas, o nariz, o queixo, minha mãe mas ela estava irredutível. Dizia que para o tipo de feitiço que eu queria o único pagamento aceitável era meu par de olhos, afinal os mesmos ficariam inúteis depois do feitiço.

Convencido, porém desconfiado, paguei adiantado com um olho e o outro viria depois do resultado prático. Ela aceitou e logo tratou de pronunciar as palavras mágicas e bater a tal varinha na minha cabeça. Então ela sumiu, e nada aconteceu. Pelo menos até virar a primeira esquina e dar de cara com ela. Cabelos loiros, pequenina, sorriso estonteante e falar empolgante. Três encontros e eu estava completamente apaixonado.

Então a fadinha voltou para exigir a outra parte do pagamento, o olho restante. Eu desconversei, tentei negociar, mas a tal fadinha era teimosa e nao aceitava nada em pagamento, somente o tal olho. Como eu iria enxergar? Como iria ver meu amor? Como iria acertar o buraco? Nada a comovia, ficava apenas me olhando com aquela cara angelical e com a maozinha esticada para eu colocar o tal olho.

Virei de costas, peguei uma bolinha de gude no meu bolso e coloquei na mão da fadinha, ao mesmo tempo que saia em disparada. Meu plano era simples. Pego meu amor, entramos em um navio e fugimos em alto mar. Tinha visto no National Geographic que as fadas nao conseguem voar sobre a água, isso devido ao reflexo delas na água causarem um efeito que paralisava suas asas. O plano era perfeito, exceto por um detalhe. A fadinha tinha asas e chegou na casa do meu amor antes de mim, sequestrou-a e enviou-a para o outro lado do oceano.

O ávido leitor deve ter pensado o mesmo que eu naquele momento. Pego um barco e navego até o outro lado do oceano e recupero meu amor, certo? Errado. Primeiro por que não conhecia nada de barcos, segundo por que a falta de um olho me impediu de me alistar na marinha e terceiro por que não sei nadar. A opção foi roubar um barco, e após 3 tentativas frustradas consegui roubar um barco a vela, a melhor opção segundo um velho vigia de barcos para a minha aventura além mar.

O complexo agora era fazer com que o vento soprasse na direção certa, batalha que travo até os dias de hoje. O navio sequestrado tinha uma inscrição na lateral, "o amor é cego". Ainda pensei que isso tivesse algum significado, mas procurei me focar na batalha terrivel das próximas semanas em convencer o vento a soprar na direção correta.

Se tiver alguma dica, manda-a através do vento.

Abraços engarrafados.

El Negro"

Biblioteca Mágica

- A biblioteca dele é mágica.
- Biblioteca mágica? De onde você tirou essa idéia?
- É o que todos dizem, que o velho Wilson tem uma biblioteca mágica.
- Impossível!
- Dizem que quando o velho Wilson era combatente da segunda guerra ele tomou posse de muitos livros de alemães e desde então sempre que viaja só faz aumentar sua coleção. Cada livro roubado recebe um feitiço e ele coloca-os em sua biblioteca.
- Que tipo de feitiço?
- Se o livro for aberto por um estranho, que não ele, a história é libertada.
- Libertada? Isso é uma metáfora, diz que a história vai te envolver.
- Não é uma metáfora, é real e eu posso provar.
- Então prove!
...
- Abra a janela com cuidado.
- Está bem!
- Eu disse para ter cuidado.
- A janela está enferrujada e dura, o que quer e eu faça?
- Nada, já deve ter acordado o bairro todo.
- Não implique, as luzes do quarto do velho estão apagadas.
- Como sabe que ele está no quarto?
- Não sei, só espero que esteja.
- Rápido, pegue qualquer livro.
- Calma!
- Rápido! A luz do quarto acendeu, pegue qualquer um. Esse de capa vermelha mesmo, ande logo... ouço passos, vamos, vamos, VAMOS!!
- Segura ele.
- Vamos, me ajude a puxar a janela.
- Não há tempo, corra!
- Vamos, VAMOS, VAMOS!
...
- Bom, aqui no velho campo de futebol estamos distantes da casa do velho.
- Além de não ter ninguém por perto uma hora dessas.
- É o lugar perfeito.
- Abra-o.
- Se não acredita no que te falei por que está se afastando do livro?
- Dá aqui este livro, vou te mostrar que são apenas palavras.
- Mostre!

Ambos afastam-se do livro, fecham os olhos cautelosamente e abrem o livro em uma página aleatória.

- Aha! Eu não disse? Apenas palavras.
- Não entendo.
- Dizem que palavras também tem sua força.
- Vai ver é só uma lenda estúpida.
- Aiii...
- O que aconteceu? Por que você jogou o livro no chão?
- O livro queimou minha mão.
- Como assim?
- Não sei explicar.

Os dois encararam o livro que apresentava letras em chamas na página aberta, e após um breve momento um feixe de fogo saiu do livro iluminando todo o céu.

Um chute jogou o livro longe e fechou-o.

- Ele está frio?
- Será que as letras continuam em chamas?
- Não quero abrir para conferir.
O livro chacoalhou na mão dos garotos.
- Segure firme.
- Ele parece estar vivo!
- O que faremos?
- Vamos amarrá-lo e levá-lo ao velho Wilson.
- Devolver a biblioteca?
- Espero que se acalme se voltar ao seu habitat.
...
- Pelo jeito o velho não acordou, a janela continua aberta do mesmo jeito que deixamos.
- Vamos ser rápidos.

Ambos entraram na biblioteca, porém o livro não parava de chacoalhar, como se não quisesse voltar a prateleira. Com muito esforço, e barulho, os dois garotos o colocaram de volta.

E ele saltou no mesmo instante, quase se abrindo ao cair no chão.

- Segure ele, não deixe ele abrir!

Pularam os dois em cima do livro e com o peso do corpo mantiveram ele fechado.

A porta da biblioteca se abriu.

- Então vocês abriram o livro, né?

Os dois olharam pálidos para o velho, e sem se mexer gaguejaram meia dúzia de palavras sem sentido. O velho se aproximou e sentou no chão próximo aos garotos.

- Uma vez aberto, o livro ganha vida.
- Então temos que lê-lo?
- Quase isso.
- Quase?
- Vocês vão precisar viver a história.

O velho empurrou os dois garotos e puxou o livro para suas mãos, que se acalmou de imediato.

- Viver a história significa ler ela inteira, certo?
- Não, vocês agora são os personagens da história.
- Personagens?

O velho abriu o livro em uma página aleatoria e leu:
"O Dragão furioso aguardava os dois garotos, Paulo e Vinicius, na entrada da caverna. Ele sabia que os dois garotos não suportariam os horrores que enfrentariam no interior da escuridão em que se encontravam."

- Como sabe nossos nomes?
- Eu sabia que você era um bruxo.
- SILÊNCIO!

Os garotos emudeceram.

- Eu não sei o nome de vocês, o livro sabe.
- O livro?
- Sim, vocês agora são personagens dele e só se livrarão do livro quando terminarem a história.

E o velho arremessou o livro contra os dois. Paulo agarrou o livro que continuava a chacoalhar.

- Agora dêem o fora daqui e só retornem após terminar o livro.

Paulo e Vinicius sairam em disparada, pularam a janela e correram sem rumo. O velho, antes de fechar a janela, disse com um sorriso de satisfação em seu rosto:

- Boa sorte garotos!

Batalha sem fim

Dizem por ai...

Que a maior batalha já travada na Terra, nunca teve fim.

De um lado os Azuis. Dez mil homens criados e preparados para a guerra. Linhas de combate, linhas de apoio, linhas de artilharia, linhas de socorro, atiradores posicionados, sinais de avançar e recuar. Inúmeras estratégias estudadas e aplicadas nas escolas das guerras já enfrentadas.

Do outro os Vermelhos. Dez milhões de homens comuns no campo de batalha. Linhas embaralhadas e desnorteadas de homens que não nasceram para guerrear. Olhos ávidos, coração na boca, sangue aflito a percorrer o corpo, desejo, coragem, vontade, loucura a espera da batalha.

Um grito de guerra.

Os Vermelhos se espalham no campo de batalha e correm desesperados ao encontro dos Azuis que esperam o inimigo inexperiente e numeroso. Em pouco tempo uma maré vermelha cobre o campo de batalha e choca-se com o forte bloqueio azul. Linhas Azuis caem e são invadidas pelos Vermelhos, assim como os Vermelhos recuam e novas linhas Azuis retomam o campo. Azuis e Vermelhos se revezam no domínio do combate. Eles não desejam se misturar, querem predominar e ao fim da batalha apenas uma cor restar.

Assim a grandiosa batalha invadiu o tempo e perdeu-se no mesmo sem misturar Azuis e Vermelhos. Ela durou dias, semanas, meses, anos até se perder no tempo e povoar o imaginário popular. Não existem registros do seu término, muito menos dos vencedores e vencidos.

Porém os mais sábios e antigos afirmam que a batalha sem fim persiste nos dias de hoje, e sempre que o coração de um homem ou mulher é tocado, os aflitos e corajosos Vermelhos enfrentam as muralhas dos pacientes e treinados Azuis.