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12 e 1/2 regras de escrita


Dica do Pips e abaixo segue a tradução da Anica

As únicas 12 e 1/2 regras de escrita que você precisará

1. Se você escreve todos os dias, você fica melhor em escrever todos os dias.
2. Se é chato para você, é chato para seu leitor.
3. Monte uma rotina de escrita, e a mantenha.
4. Poesia NÃO tem que rimar. Poesia NÃO tem que rimar.
5. Resista aos esteriótipos, na vida real e na sua escrita.
6. Escritores leem. Escritores leem muito. Escritores leem o tempo todo.
7. Faça listas de todos as suas palavras e livros, lugares e coisas favoritos.
8. Uma história não precisa ter moral sempre.
9. Sempre traga seu caderno. Sempre tenha uma caneta extra.
10. Saia caminhar. Dance. Arranque ervas-daninhas. Lave a louça. Escreva sobre isso.
11. Não se prenda a apenas um estilo. Tente algo novo!
12. Aprenda a contar os dois lados de uma história.
12 1/2. Pare de ficar olhando para esse pôster. Escreva algo!

Carta engarrafada

Carta encontrada dentro de uma garrafa em uma praia portuguesa.

"Caro leitor de papeis em garrafas,

Dia desses encontrei uma fadinha nada modesta, pedi um feitiço e ela me cobrou os olhos da cara. Tentei negociar meus braços, pernas, o nariz, o queixo, minha mãe mas ela estava irredutível. Dizia que para o tipo de feitiço que eu queria o único pagamento aceitável era meu par de olhos, afinal os mesmos ficariam inúteis depois do feitiço.

Convencido, porém desconfiado, paguei adiantado com um olho e o outro viria depois do resultado prático. Ela aceitou e logo tratou de pronunciar as palavras mágicas e bater a tal varinha na minha cabeça. Então ela sumiu, e nada aconteceu. Pelo menos até virar a primeira esquina e dar de cara com ela. Cabelos loiros, pequenina, sorriso estonteante e falar empolgante. Três encontros e eu estava completamente apaixonado.

Então a fadinha voltou para exigir a outra parte do pagamento, o olho restante. Eu desconversei, tentei negociar, mas a tal fadinha era teimosa e nao aceitava nada em pagamento, somente o tal olho. Como eu iria enxergar? Como iria ver meu amor? Como iria acertar o buraco? Nada a comovia, ficava apenas me olhando com aquela cara angelical e com a maozinha esticada para eu colocar o tal olho.

Virei de costas, peguei uma bolinha de gude no meu bolso e coloquei na mão da fadinha, ao mesmo tempo que saia em disparada. Meu plano era simples. Pego meu amor, entramos em um navio e fugimos em alto mar. Tinha visto no National Geographic que as fadas nao conseguem voar sobre a água, isso devido ao reflexo delas na água causarem um efeito que paralisava suas asas. O plano era perfeito, exceto por um detalhe. A fadinha tinha asas e chegou na casa do meu amor antes de mim, sequestrou-a e enviou-a para o outro lado do oceano.

O ávido leitor deve ter pensado o mesmo que eu naquele momento. Pego um barco e navego até o outro lado do oceano e recupero meu amor, certo? Errado. Primeiro por que não conhecia nada de barcos, segundo por que a falta de um olho me impediu de me alistar na marinha e terceiro por que não sei nadar. A opção foi roubar um barco, e após 3 tentativas frustradas consegui roubar um barco a vela, a melhor opção segundo um velho vigia de barcos para a minha aventura além mar.

O complexo agora era fazer com que o vento soprasse na direção certa, batalha que travo até os dias de hoje. O navio sequestrado tinha uma inscrição na lateral, "o amor é cego". Ainda pensei que isso tivesse algum significado, mas procurei me focar na batalha terrivel das próximas semanas em convencer o vento a soprar na direção correta.

Se tiver alguma dica, manda-a através do vento.

Abraços engarrafados.

El Negro"

Biblioteca Mágica

- A biblioteca dele é mágica.
- Biblioteca mágica? De onde você tirou essa idéia?
- É o que todos dizem, que o velho Wilson tem uma biblioteca mágica.
- Impossível!
- Dizem que quando o velho Wilson era combatente da segunda guerra ele tomou posse de muitos livros de alemães e desde então sempre que viaja só faz aumentar sua coleção. Cada livro roubado recebe um feitiço e ele coloca-os em sua biblioteca.
- Que tipo de feitiço?
- Se o livro for aberto por um estranho, que não ele, a história é libertada.
- Libertada? Isso é uma metáfora, diz que a história vai te envolver.
- Não é uma metáfora, é real e eu posso provar.
- Então prove!
...
- Abra a janela com cuidado.
- Está bem!
- Eu disse para ter cuidado.
- A janela está enferrujada e dura, o que quer e eu faça?
- Nada, já deve ter acordado o bairro todo.
- Não implique, as luzes do quarto do velho estão apagadas.
- Como sabe que ele está no quarto?
- Não sei, só espero que esteja.
- Rápido, pegue qualquer livro.
- Calma!
- Rápido! A luz do quarto acendeu, pegue qualquer um. Esse de capa vermelha mesmo, ande logo... ouço passos, vamos, vamos, VAMOS!!
- Segura ele.
- Vamos, me ajude a puxar a janela.
- Não há tempo, corra!
- Vamos, VAMOS, VAMOS!
...
- Bom, aqui no velho campo de futebol estamos distantes da casa do velho.
- Além de não ter ninguém por perto uma hora dessas.
- É o lugar perfeito.
- Abra-o.
- Se não acredita no que te falei por que está se afastando do livro?
- Dá aqui este livro, vou te mostrar que são apenas palavras.
- Mostre!

Ambos afastam-se do livro, fecham os olhos cautelosamente e abrem o livro em uma página aleatória.

- Aha! Eu não disse? Apenas palavras.
- Não entendo.
- Dizem que palavras também tem sua força.
- Vai ver é só uma lenda estúpida.
- Aiii...
- O que aconteceu? Por que você jogou o livro no chão?
- O livro queimou minha mão.
- Como assim?
- Não sei explicar.

Os dois encararam o livro que apresentava letras em chamas na página aberta, e após um breve momento um feixe de fogo saiu do livro iluminando todo o céu.

Um chute jogou o livro longe e fechou-o.

- Ele está frio?
- Será que as letras continuam em chamas?
- Não quero abrir para conferir.
O livro chacoalhou na mão dos garotos.
- Segure firme.
- Ele parece estar vivo!
- O que faremos?
- Vamos amarrá-lo e levá-lo ao velho Wilson.
- Devolver a biblioteca?
- Espero que se acalme se voltar ao seu habitat.
...
- Pelo jeito o velho não acordou, a janela continua aberta do mesmo jeito que deixamos.
- Vamos ser rápidos.

Ambos entraram na biblioteca, porém o livro não parava de chacoalhar, como se não quisesse voltar a prateleira. Com muito esforço, e barulho, os dois garotos o colocaram de volta.

E ele saltou no mesmo instante, quase se abrindo ao cair no chão.

- Segure ele, não deixe ele abrir!

Pularam os dois em cima do livro e com o peso do corpo mantiveram ele fechado.

A porta da biblioteca se abriu.

- Então vocês abriram o livro, né?

Os dois olharam pálidos para o velho, e sem se mexer gaguejaram meia dúzia de palavras sem sentido. O velho se aproximou e sentou no chão próximo aos garotos.

- Uma vez aberto, o livro ganha vida.
- Então temos que lê-lo?
- Quase isso.
- Quase?
- Vocês vão precisar viver a história.

O velho empurrou os dois garotos e puxou o livro para suas mãos, que se acalmou de imediato.

- Viver a história significa ler ela inteira, certo?
- Não, vocês agora são os personagens da história.
- Personagens?

O velho abriu o livro em uma página aleatoria e leu:
"O Dragão furioso aguardava os dois garotos, Paulo e Vinicius, na entrada da caverna. Ele sabia que os dois garotos não suportariam os horrores que enfrentariam no interior da escuridão em que se encontravam."

- Como sabe nossos nomes?
- Eu sabia que você era um bruxo.
- SILÊNCIO!

Os garotos emudeceram.

- Eu não sei o nome de vocês, o livro sabe.
- O livro?
- Sim, vocês agora são personagens dele e só se livrarão do livro quando terminarem a história.

E o velho arremessou o livro contra os dois. Paulo agarrou o livro que continuava a chacoalhar.

- Agora dêem o fora daqui e só retornem após terminar o livro.

Paulo e Vinicius sairam em disparada, pularam a janela e correram sem rumo. O velho, antes de fechar a janela, disse com um sorriso de satisfação em seu rosto:

- Boa sorte garotos!

A chuva antes de cair – Jonathan Coe

[Publicado originalmente no Blog do Meia Palavra]

Passeando por uma livraria este livro chamou minha atenção, tanto pelo título assim como pelo nome do autor que não me era estranho. A orelha do livro foi meu primeiro destino, “a derradeira tarefa da vida de Rosamond é descrever uma série de 20 fotografias que, juntas, contam um trágico passado familiar”.

Após essa frase meus dedos correram as páginas do livro em busca das fotografias, porém para minha surpresa nenhuma foi encontrada. Então voltei a orelha, “Rosamond está prestes a morrer e volta seus pensamentos para a neta de uma prima, Imogen, que ainda criança ficou cega”. A falta das fotos foi esclarecida, e minha curiosidade levou-me a descobrir a história do livro de Jonathan Coe.

Tudo começa com a morte de Rosamond. Ela não tinha filhos, sua companheira Ruth havia morrido há algum tempo e sua irmã Sylvia também estava morta. De modo que ela deixou a herança para três pessoas. Seus sobrinhos David e Gill receberiam um terço da herança cada um. A terceira parte era destinada a Imogen, a neta de uma prima de Rosamond, e que há muito não se tinha noticias.

Gill ficou encarregada de encontrar Imogen, porém ao visitar a casa de Rosamond para buscar algumas coisas encontrou um microfone ligado a um velho gravador, algumas fotos jogadas, quatro caixinhas de fitas cassetes enumeradas e um bilhete: “Gill, são para Imogen. Se não conseguir encontrá-la, ouça-as você mesma”.

Ela, as filhas e eu “ouvimos” as quatro fitas, e o transcorrer da história contada por Rosamond através de 20 fotografias cuidadosamente escolhidas. Confesso que imaginar cada uma das fotos foi um exercício muito interessante, uma vez que a narradora preenche com detalhes mínimos cada foto e vamos construindo-as na nossa cabeça.

Além dos detalhes, as fotos ganham movimento, cores, fatos, personagens, nomes, datas e revelações que preenchem pouco a pouco a história. Que ganha um charme especial da narradora, que deixa transparecer a emoção em cada foto, além de dar uma pitada de suas opiniões sobre cortes de cabelo, roupas e devaneios sobre certos fatos do próprio passado inclusos em cada foto.

Algumas percepções de Rosamond recaem sobre cada leitor, e nos fazem pensar nas fotos que compõem nosso passado. Por que fotos, de alguma forma, retratam nosso passado. Rosamond indaga a certa altura o fato de todos sorrirem nas fotografias, e por este motivo não podermos confiar nelas. Mas talvez o sorriso seja por que queremos guardar bons momentos, e somente os bons momentos.

O fato é que o romance vai além das revelações intrínsecas a cada foto, e do fluxo emocionante que nos prende até o final. Criamos uma relação intima com Rosamond, e tentamos registrar a felicidade no momento exato em que ela está se formando, como a chuva antes de cair.

Semana Nacional da Leitura e Literatura

Você sabia que esta é a SEMANA NACIONAL DA LEITURA E LITERATURA?

Não sabia? Como assim? Leia aqui embaixo.

"O calendário oficial de celebrações relacionadas à Cultura no Brasil passou a contar com mais uma data: o Dia Nacional da Leitura, a ser comemorado em 12 de outubro. Publicada nesta sexta-feira, 9 de janeiro, a Lei nº 11.899 – que também institui a Semana Nacional da Leitura e da Literatura – foi assinada pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e pelo ministro da Cultura interino, Roberto Gomes do Nascimento.

Com a iniciativa, o Governo Federal pretende ressaltar a importância do hábito da leitura no país, fundamental no processo de formação do indivíduo e de inclusão sociocultural. Objetiva, ainda, destacar a criação literária e o papel da leitura, em especial entre os mais jovens, pois a data também é consagrada como o Dia da Criança.

A Cultura brasileira já contava com outras datas para celebrar o segmento do Livro, Leitura e Literatura – Dia do Bibliotecário, 12 de março; Dia Nacional do Livro Infantil, 18 de abril; Dia Nacional do Escritor, 25 de julho; e Dia Nacional do Livro, 29 de outubro; dentre as oficiais."

Fonte: Ministério da Cultura

E não podemos deixar a data em branco, certo?

Então para celebrar vou dar algumas sugestões:

1. Pratique a Leitura de livros, blogues, placas de trânsito, jornais, revistas, artigos, HQ's.
2. Leia um livro.
3. Fale sobre livros e literatura.

Não sabe como fazer isso? Tem dúvidas? É tímido?

Não se envergonhe, a solução é mais fácil do que você pode imaginar, e está bem aqui. Ou melhor, bem abaixo...

Dicas:

Visite o Forúm de Literatura Meia Palavra. Lá você pode conversar sobre leituras, autores e ainda receber inúmeras dicas sobre o que ler.

O Meia também tem uma área exclusiva para a comemoração da Semana Nacional da Leitura e Literatura, com vários tópicos muito interessantes.

Outra dica é visitar os blogue dos escritores, algumas dicas:

Antônio Xerxenesky
Samir Mesquita
Andre Esteves
Jana Lauxen

Existem muitos outros, mas acho que já é possível se divertir com essas dicas.

Aproveitem a semana e ótimas leituras.

Batalha sem fim

Dizem por ai...

Que a maior batalha já travada na Terra, nunca teve fim.

De um lado os Azuis. Dez mil homens criados e preparados para a guerra. Linhas de combate, linhas de apoio, linhas de artilharia, linhas de socorro, atiradores posicionados, sinais de avançar e recuar. Inúmeras estratégias estudadas e aplicadas nas escolas das guerras já enfrentadas.

Do outro os Vermelhos. Dez milhões de homens comuns no campo de batalha. Linhas embaralhadas e desnorteadas de homens que não nasceram para guerrear. Olhos ávidos, coração na boca, sangue aflito a percorrer o corpo, desejo, coragem, vontade, loucura a espera da batalha.

Um grito de guerra.

Os Vermelhos se espalham no campo de batalha e correm desesperados ao encontro dos Azuis que esperam o inimigo inexperiente e numeroso. Em pouco tempo uma maré vermelha cobre o campo de batalha e choca-se com o forte bloqueio azul. Linhas Azuis caem e são invadidas pelos Vermelhos, assim como os Vermelhos recuam e novas linhas Azuis retomam o campo. Azuis e Vermelhos se revezam no domínio do combate. Eles não desejam se misturar, querem predominar e ao fim da batalha apenas uma cor restar.

Assim a grandiosa batalha invadiu o tempo e perdeu-se no mesmo sem misturar Azuis e Vermelhos. Ela durou dias, semanas, meses, anos até se perder no tempo e povoar o imaginário popular. Não existem registros do seu término, muito menos dos vencedores e vencidos.

Porém os mais sábios e antigos afirmam que a batalha sem fim persiste nos dias de hoje, e sempre que o coração de um homem ou mulher é tocado, os aflitos e corajosos Vermelhos enfrentam as muralhas dos pacientes e treinados Azuis.

Um pouco de Palazo

Neto de pescadores, Palazo aprendeu com eles a arte de ouvir e contar histórias durante as longas horas de pescaria. Estudou engenheira elétrica com a intenção de pegar uma enguia elétrica, mas acabou por ter alguns efeitos colaterais em conseqüência dos choques sofridos durante o curso. Dentre estes, a estranha mania de usar o grande nariz para reconhecer o mundo a sua volta.

Com sangue português, espírito francês, língua espanhola e ritmo africano, esse paulistano de pele clara é avesso ao ritmo natural da vida, preferindo vivê-la do avesso. Seu topete é um medidor de humor, suas mãos delicadas escondem suas habilidades, seu nariz é do tamanho do seu atrevimento e os apelidos são confundidos com seu verdadeiro nome. Ele é habilidoso e coordenado com o lado direito do corpo, porém estranhamente insiste em escrever com a mão esquerda.

Cinéfilo, rato de sebos, amante de livrarias e apaixonado por bibliotecas, Palazo anda sempre acompanhado de uma xícara de café ou um copo de coca com gelo. Não dispensa uma cerveja com os amigos, uma tequila para esquentar e um vinho bem acompanhado. Vive com os ouvidos plugados em música e os olhos como uma máquina fotográfica a capturar imagens a cada piscada. Avesso a perfeições, ele acredita que as pessoas são identificadas pelos seus defeitos, e através destes cada um torna-se único.